A poda é essencial para disciplinar a videira e estimular o crescimento dos gomos responsáveis pela futura produção. Reza a lenda, porém, que esta prática terá sido descoberta ao acaso... e graças à inesperada intervenção de um burro!
Numa rubrica publicada no Diário de Lisboa, a 30 de novembro de 1967, intitulada "A França e o Bom Vinho", eram partilhados episódios ligados à história do vinho. Nesse dia, contava-se que Rabelais relatava como os burros da abadia de Marmoutiers, perto de Tours, invadiram a vinha e devoraram folhas e rebentos das videiras. Convencidos de que a colheita estaria comprometida, os monges acabariam por se surpreender, meses mais tarde, ao constatar que as videiras tinham rebentado com ainda mais vigor!
Durante o inverno, as folhas caem e a vinha perde o seu verde característico, entrando num estado de repouso vegetativo. É precisamente nesta fase que se cria o momento ideal para realizar a poda, preparando a planta para o calor da primavera, quando se inicia um novo ciclo.
Ano de plantação da vinha: 2017
Altitude: 307-314 m
O Morgado de Oliveira foi instituído em 1306 por D. Martim de Oliveira, Arcebispo de Braga, eborense. Aqui plantou vinhas, construiu adega, lagar, legislou sobre a proteção da vinha e dos vinhos de Évora e edificou o Paço do Morgado de Oliveira, que é hoje a nossa casa.
Os terrenos do Morgado de Oliveira são abençoados com água, sendo o aqueduto da água da prata alimentado pelos poços da propriedade, comprados por D. João II ao Morgado de Oliveira no final do séc. XV. A vinha existia cá antes da instituição do Morgado em 1306. Sendo, segundo vários autores, a zona mais antiga de vinha em Évora de que há memória.
No local onde já existia a vinha antes da instituição do Morgado em 1306, plantámos, em 2017, a vinha do Morgado de Oliveira, em produção biológica. As castas selecionadas foram:
Castas Brancas: Arinto, Perrum e Folgasão.
Castas Tintas: Touriga Nacional, Aragonez, Alicante Bouschet, Baga, Tinta Grossa e Tinta Miúda.
Esta é a primeira vinha plantada com a visão do António no Alentejo. Nos brancos, começou com Arinto, plantado em sequeiro, em modo biológico. O resultado? Foi perder cerca de 30% das plantas no primeiro ano e um crescimento das vinhas lento, com produções muito baixas, mas o António explica que quando recebeu o primeiro mosto com 12.2 de álcool provável e 8 de acidez total, tinha valido a pena! Reforçando este esforço, o Morgado de Oliveira NV recebeu o prémio de Melhor Branco de Portugal 2024 pela Revista Grandes Escolhas.
Foi em 2010 que arrancámos o nosso primeiro ensaio Branco de indígenas. Hoje 11 anos mais tarde, todos os nossos vinhos são produzidos a partir de leveduras indígenas. Mas quais indígenas? As da adega? As da vinha? Aqui testamos apenas a leveduras da vinha do Morgado de Oliveira. Fizemos, portanto, um "pé de cuba" na vinha multiplicando apenas as leveduras da vinha e inoculámos diretamente as barricas com essas leveduras. O resultado? O nosso Arinto das indígenas do Morgado.